Nos bastidores da natureza: como a lampreia tenta sobreviver!

A reprodução da lampreia-marinha (Petromyzon marinus) é um dos momentos mais sensíveis e determinantes do seu ciclo de vida. É no rio, em condições muito específicas, que se garante a continuidade da espécie — e é precisamente por isso que há locais que têm de ser respeitados e protegidos. Quando a lampreia entra na fase reprodutora, procura zonas com água relativamente pouco profunda, corrente moderada e um fundo com cascalho, areia e pequenas pedras.


Esses locais permitem-lhe limpar o leito do rio e construir um ninho natural, através de movimentos repetidos do corpo, deslocando sedimentos e estabilizando uma depressão onde irá ocorrer a postura dos ovos e a fecundação. Este processo, que pode parecer simples a olho nu, é biologicamente exigente e extremamente vulnerável a perturbações: basta alterar o substrato, pisar, arrastar artes, capturar exemplares nesse local ou perturbar o comportamento reprodutor para comprometer a viabilidade dos ovos e reduzir drasticamente o sucesso da reprodução.


É por isso que as zonas de nidificação não são “mais um ponto do rio”. São áreas críticas — verdadeiros berços ecológicos — e não devem ser alvo de captura. Pescar em locais de ninho significa interromper o ciclo da vida no momento exato em que a espécie tenta regenerar-se. Significa reduzir o recrutamento, ou seja, a entrada de novos juvenis na população. E sem recrutamento, não existe reposição natural. A médio prazo, o resultado é sempre o mesmo: menos lampreia no rio, maior fragilidade do ecossistema e uma perda irreversível de um património que pertence a todos.


Em rios onde a mortalidade é mais elevada — por pressão acumulada de fatores como barreiras à migração, degradação de habitat, alterações de caudal, poluição e pressão de captura — o recrutamento natural torna-se ainda mais decisivo. Quanto maior a mortalidade e maior o stress ambiental, maior é a dependência de uma reprodução bem-sucedida para compensar perdas e permitir a recuperação populacional. Nestes contextos, proteger os locais de ninho não é uma “boa prática”; é uma medida essencial de continuidade. É uma decisão com impacto real, porque atua diretamente na única fase que garante o futuro da espécie.


Sustentabilidade, na prática, é isto: entender o ciclo biológico, respeitar os momentos críticos e agir com consciência. É saber que há locais onde não se pesca porque ali não se tira — ali constrói-se vida. Sejamos responsáveis. Sejamos conscientes. Sejamos presentes. A continuidade da lampreia não se defende com palavras bonitas: defende-se com respeito pelo rio, pelos ninhos e pelo futuro.

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